sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Aquele do Era uma vez...

Era uma vez um menino
Que certa vez decidiu correr e saltar
Ele mal fazia idéia de como as coisas eram
Acima das nuvens

Ele deu o primeiro passo
e então o segundo
Ele tinha a coragem e a velocidade
e não podia mais parar, mesmo que quisesse

Suas pernas estavam flexionadas e ele tinha areia em suas mãos
E aquela foi a última vez que o ar entrou em seus pulmões,
pelo menos enquanto ele ainda estava no chão.
Sua cabeça mirava o céu, assim como o seu coração.

E finalmente ele saltou
Seus pés não mais tocavam a terra
E o tempo era medido em eras
Cada segundo uma nova eternidade

Tudo era novo entre as nuvens
Cada sentimento, cada sensação
Aquilo era um novo mundo a ser explorado
a ser desafiado!

E então ele os viu...
Outras pessoas também saltavam
Pessoas de todas as partes do globo
Mas de alguma forma, elas pareciam as mesmas acima das nuvens

E eles se tornaram amigos
Eles o ensinaram a ir ainda mais alto
A rir e a sorrir
Eles o ensinaram a navegar
A passar a noite acordado
O ensinaram que para poder se encontrar
primeiro ele tinha que se perder

E eles foram ainda mais alto
Eles riram e sorriram
Navegaram e passaram noites acordados
E finalmente ele se encontrou.
Ele estava feliz, se apaixonou.

Mas então veio o próximo instante
Frio e cortante como uma lâmina
Ele percebeu a única coisa que sempre teve certeza
Ele tinha que voltar

Durante todo esse tempo ele nunca olhou para trás
Não que ele não gostasse do que havia deixado
Na realidade, ele amava tudo aquilo
E ele sabia que eles ainda estariam por lá

Mas por alguma razão ele sentia medo
As nuvens eram agora o seu mundo...

Existe realmente um chão lá embaixo?
Por que está tudo tão rápido agora?
Verei meus amigos de novo?
Serão minhas pernas fortes o suficiente?
E o meu coração?

E ele mal sabia como as coisas eram
abaixo das nuvens...

Seus braços estavam estendidos
na esperança de que alguém os segurasse
Seus joelhos estavam preparados
ansiosos para sentir a terra mais uma vez

Dois sentimentos compartilhando seus sonhos
Dois caminhos a sua frente
Um destino
O seu destino

Mas agora ele está feliz novamente
Não importa o quanto nós tentamos
Pessoas não podem voar
O que podemos fazer é saltar
- Isso mantém nossas pernas fortes e nossa mente sã
E encarar cada momento como uma vida inteira
Porque isso é o que cada momento é
E isso é o que foi
Minha vida na Malásia.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Aquele do Feliz 2553

Por mais que pareça que eu esteja ligeiramente adiantado, acreditem, na realidade eu estou é atrasado. Não se trata de nenhuma bobagem nerd (como se algo nerd pudesse ser bobo), ou qualquer tipo de profecia. 2553 é o atual ano na "Terra da Liberdade" - mundialmente conhecida como Tailândia. E foi nesse país que tive o prazer de vivenciar 12 dias da minha viagem... o título do blog que me perdoe, mas esse post é inteiramente dedicado a essa nação fantástica!

Tá legal, mas antes de começar você vai explicar qual é a do 2553 né?

Haha.. apesar de gostar de te ver curioso(a) eu sim, vou explicar o que se passa com esse calendário. Acontece que os tailandeses são em sua grande maioria budistas e eles começam a contar os anos após a morte do Buda, 543 anos antes do nascimento de Cristo. De fato, o ano novo Tailandês é comemorado no primeiro dia da quinta lua crescente do ano, geralmente em Abril. (http://danimaisonze.blogspot.com para maiores informações ;p ).



Humm.. então me conta aí, por onde você andou?

Hahah.. você está gostando de tomar conta dos meus subtítulos né? Bom.. mas vamos lá, o itinerário da viagem inclui Bangkok, Krabi, Railay and Ko Phi Phi. Vou tentar resumir um pouco as coisas, afinal tem que sobrar algo para eu contar pessoalmente né?

Bangkok

Vou ser sincero, eu esperava uma cidade cinza. Carros por toda a parte, poluição, pessoas te oferecendo as coisas nas ruas e turistas brotando em cada esquina. Mas Bangkok me provou que uma cidade pode ter tudo isso aí de cima e ainda assim ser colorida, MUITO colorida. Do laranja gritante no manto dos monges budistas ao colorido dos ônibus e táxis, a cidade é capaz de abrigar a paz dos milhares de templos e a insanidade de seus motoristas em uma sincronia perfeita.


Ficamos 4 dias na capital Tailandesa, conhecemos a Khao San Road, famosa entre os viajantes pela sua variedade de bares, restaurantes e hotéis baratos. Fomos ao Chatukat Market, um mercado 10 vezes maior do que os mercados dos meus piores pesadelos - sério! ficamos um dia inteiro lá e não percorremos metade da metade do lugar.

Assistimos a um tradicional teatro de marionetes, que nos contou a história da origem do deus Hindu Ganesh (isso é um post a parte). E visitamos templos... muitos templos... eles estão em toda parte!

Se eu tivesse que resumir Bangkok em uma palavra, eu usaria "extrema". Nada é moderado naquele lugar - um excelente ínicio de viagem. ;)

Krabi


Bem, a cidade de Krabi mesmo não tem nada. Mas é muito procurada pelos turistas por estar perto de muitas atrações. A partir de lá é possível fazer viagens de um dia para muitas das ilhas do litoral tailandês. Além disso, o lugar também é famoso por seus rochedos, parada obrigatória para quem gosta de escalada.

No nosso caso, decidimos fazer um dos vários pacotes turísticos oferecidos no hotel. Eis a nossa "aventura":

- 50 minutos de passeio de elefante. Não pensem vocês que fomos muito longe não, é que o bicho é lento mesmo. Mas mesmo assim é uma experiência fascinante.

- Plantar uma bananeira (a árvore mesmo). Segundo a guia, as bananas seriam usadas para alimentar os elefantes. Observação: eu não suportava a guia me perguntando se estava sendo uma aventura - não que eu tenha algo contra plantar árvores!

- Canoagem! Depois de um tempinho tentando pegar o ritmo das pás e não acertar a cabeça da Dani, que estava sentada a minha frente, foi bem divertido. Observação: era um lago.... ou seja, a água mal se mexia e ainda assim a guia continuava perguntando se eu estava gostando da aventura! - tá... agora já é implicância minha.


- Piscina de Esmeralda.... uma piscina natural formada por uma água tão clarinha.... que eu vou deixar as fotos falarem por si só.


- Hotsprings.. afinal a gente tem que relaxar depois de tanta aventura né!? =)


Railay

A cerca de uma hora de Krabi fica uma península que abriga 4 praias, somente acessíveis de barco. Sem brincadeira, Deus estava inspirado viu...

A primeira praia chama-se Tonsai, logo ao lado dela está a Railay Oeste. É possível ir de uma praia a outra nadando, ou através de uma caverna quando a maré está baixa.

A 10 minutos da Railay Oeste está a Railay Leste, essa praia não é das mais atraentes... parece mais um pântano, mas os hotéis aqui são mais baratos e afinal, são só 10 minutos até a outra ponta. A 4ª praia eu me esqueci o nome (me desculpem) mas trata-se também de uma praia muito bonita, porém toda monopolizada por um grande resort de luxo - ainda assim a praia é pública.


Ko Phi Phi

E aqui segue mais uma confissão. Devo dizer que quando cheguei a essa ilha eu fiquei profundamente decepcionado. Afinal, minha expectativa estava nas alturas.... ao contrário da maré que estava baixa o suficiente para levar a agua embora da praia. Mas seria injusto, até mesmo um sacrilégio eu deixar vocês com essa impressão da ilha.... pois assim que a maré subiu, eu consegui entender a origem de tanta fama.

A ilha em si é bem pequena, povoada somente numa estreita faixa de terra, mas atrai todo ano milhares e milhares de turistas. Não existem carros no lugar, e os nativos quando querem te ultrapassar com suas bicicletas, ironicamente emitem um som de "Phiii Phiii".

As ilhas vizinhas também não deixam de exibir seus encantos, uma delas é particularmente conhecida por causa do filme "The Beach" do Leonardo DiCaprio - se você já viu o filme, talvez ache essa foto familiar. (pela praia ou pelo galã)

Bom.... e foram as águas desse paraíso que marcaram o início do meu ano.

Seja ele 2010, ou 2553, eu desejo a todos vocês dias abençoados, muitas cores, descobertas, aventuras. Que todos tenhamos a oportunidade de realizar os melhores dos nossos sonhos e por que não... sonhar sonhos ainda mais belos!






quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Aquele do Natal


Hoje, ao acordar, eu convenci meu corpo e minha mente a perder uns minutos a mais na cama. Não que isso defina alguma fuga do meu cotidiano, mas definitivamente teve um significado diferente. Talvez um pequeno deslumbre de insanidade, ou um forte sentimento de saudade, seja qual for o motivo, o que aconteceu foi que por alguns segundos meu quarto tomou outra forma... mais familiar... mais brasileira... a fina porta de madeira deixava passar o som das conversas na sala de estar, e as vozes me soavam estranhamente conhecidas. Eu me senti em casa. Acordando depois dos meus primos, e ouvindo minha família acertando os últimos detalhes para o dia de natal.

Ahhh o Natal.... a família reunida, a comida à mesa, a troca de presentes... a oração ao menino Jesus. Eu quase posso tocar cada uma dessas coisas, como se de alguma forma elas estivessem fortemente presentes aqui comigo. E tenho certeza de que estão. Eu sei que nesse exato momento minha família está pensando em mim, com a mesma intensidade e amor que eu estou pensando neles. E isso, meio que magicamente, nos aproxima.... me permite ouvir suas vozes, sentir seus abraços, rir e chorar com eles, sentir o cheiro da ceia à mesa, ver as luzes da árvore de natal...

Caros leitores, permitam-me que eu me dirija agora diretamente a minha família. Mas antes, tenham um Feliz Natal, cheio de paz, amor e esperança.

Família, vocês sempre me ensinaram que através da oração nós nos aproximamos de Deus. Que orar é celebrar a fé, é um gesto de humildade, gratidão e amor. Sendo assim, na esperança de juntar as minhas preces as suas, eu deixo aqui as minhas palavras ao menino Jesus nesse natal.

"Meu Pai, é com lágrimas em meus olhos e júbilo em meu coração que eu me dirijo a Ti nessa noite. Choro porque sinto saudades da minha família, e porque na minha pequenez reconheço que nada sou sem eles. Mas me alegro pois sei que eles me amam, e sei disso com a mesma certeza de que o Senhor nos ama.

Essa é normalmente a noite em que Te agradecemos por ter enviado o menino Jesus para nos guiar e salvar. Meu Pai, eu gostaria de humildemente acrescentar algumas pessoas a essa lista. A minha família. Em meu coração o Senhor sabe o quanto eles são importantes para mim e o quanto eu os amo. Muito obrigado meu Deus, por ter colocado pessoas tão maravilhosas em minha vida. E por favor, embora eu não esteja fisicamente ao lado deles essa noite, envie o Seu Espírito, leve minhas orações e aqueça os seus corações, faça com que eles possam me sentir por perto, da mesma forma que eu sinto que eles estão por aqui.

Muito obrigado meu Pai..."


P.S.: Maninha, eu tentei fazer uma montagem para te colocar nessa foto mas não funcionou... de qualquer forma saiba que eu nunca me esqueceria de você! E de qualquer forma, você já está moh gata na foto anterior!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aquele sobre o Islamismo

Durante esses meus quase 9 meses na Malásia pude observar muita coisa sobre o Islamismo. E inspirado na visita que fizemos hoje a uma mesquita, tentarei descrever aqui tudo que aprendi. Para aqueles que estão se perguntando: "Mas então o Lucas mudou de religião?" eu respondo: Não. Continuo firme em minha fé católica, mas não vejo nada de mau em entender um pouco melhor essa crença que move milhões de pessoas nesse mundo.

Os cinco pilares do Islã

A tradução da palavra Islã para o português seria algo como: "Absoluta submissão e obediência a vontade de Allah e suas leis". Assim como qualquer outra religião, seu intuito é guiar a humanidade pelo caminho de Deus, através da oração e obediência. O Islã prega que há somente um Deus, ao qual me referirei a partir de agora pela palavra Allah , Deus em árabe. E que todas as outras religiões erram ao venerar a criação de Allah, e não o próprio Allah. Para explicar melhor sobre isso, vou tentar citar os 5 pilares que sustentam o Islã, e a partir daí contar minha experiência.



1º Pilar - O testemunho da fé

Esse pilar afirma que "Ninguém tem o direito de ser venerado senão o próprio Allah e que Muhammad é o seu mensageiro". Segundo o Islamismo, todas as figuras históricas que conhecemos são na realidade profetas de Allah, inclusive Jesus, Buda e o próprio Muhammad - que foi quem escreveu o Qur'an, ou Alcorão como estamos acostumados. Na realidade, analisando melhor esse livro sagrado muçulmano, pode-se encontrar citações de várias pessoas conhecidas pelos católicos: Adão, Eva, Caim, Abel, Abraão, Isaac, Jacó e as 12 tribos de Israel, Davi, Salomão, Maria e Jesus. Todos são citados como profetas de Allah, e foram enviados para pregar suas palavras.


2º Pilar - Realizar as 5 orações diárias

Como muitos de nós já vimos em novelas ou livros, os muçulmanos devem rezer 5 vezes ao dia em horários pré-determinados, sempre em direção a Meca - cidade centro do Islamismo. Cada uma dessas orações é composta de uma série de 8 movimentos e diversos versos do Qur'an, que devem ser recitados em árabe. Acredita-se que cada uma das posturas utilizadas na oração traz uma série de beneficios ao corpo humano, entre eles melhor circulação sanguínea, purificação dos órgãos e sentidos, relaxamento dos músculos, maior poder de concentração, entre outros.

Em uma mesquita, ou mesmo em uma sala de orações, os homens devem estar descalços e rezar lado a lado, com os ombros encostados, em um sinal de igualdade e irmandade. Mulheres não devem nunca rezar ao lado de um homem, ao menos que este seja seu marido ou parente próximo. E isso eu posso ver claramente na empresa onde trabalho. Lá existe uma sala de orações, onde os muçulmanos fazem suas pausas para orações. Essas salas podem ser encontradas em todo lugar: empresas, escolas, estações de trem, etc.



3º Pilar - A caridade obrigatória (Zakat)

A idéia do Zakat é quase a mesma do Dízimo católico, com algumas diferenças. O total a ser doado é de 2,5% da sua receita anual, e esse dinheiro deve ser dado a uma família realmente necessitada. Tenho um amigo que trabalha em uma Organização de prevenção ao Câncer, e ele me ensinou coisas muito interessantes sobre esse costume. Aqui na Malásia, o governo recolhe o dinheiro do Zakat como se fosse um imposto, e se responsabiliza por distribui-lo entre uma lista de familias cadastradas e consideradas necessitadas. Mas isso não acontece na Arábia Saudita por exemplo, onde cada família deve escolher por contra própria para quem fazer a doação, o que é um problema pois não é tão fácil encontrar uma familia necessitada naquele país e é aí que entra a ONG do meu amigo. Eles pedem que essas pessoas façam a doação do Zakat a eles, que por sua vez utilizarão esse dinheiro para ajudar muçulmanos que sofrem de câncer. Segundo o Islamismo, você é proíbido de pedir esmolas, assim como você é obrigado a ajudar um irmão visivelmente necessitado.


4º Pilar - Jejuar durante o mês do Ramadhan

Essa foi uma experiência pessoalmente muito interessante. Durante o mês do Ramadhan, que no calendário Islâmico é baseado em um ciclo lunar entre os meses de Agosto e Setembro, todos os muçulmanos estão proíbidos de ingerir qualquer coisa enquanto o Sol estiver no céu. Ingerir qualquer coisa inclui comida, bebidas (inclusive água), cigarro e até mesmo sexo. Qualquer coisa que viole o seu corpo não deve ser praticada durante o dia. E essa regra é aparentemente seguida a risca. Muitos restaurantes fecham, a polícia tem o dever de prender qualquer muçulmano que viole a regra, é até mais dificil comprar comida para levar para casa - eles sempre suspeitam que você está alimentando algum muçulmano. E é engraçado ver chegar a hora do pôr do sol.. todos os muçulmanos correm para os restaurantes mais próximos, compram sua refeição e se sentam a mesa encarando o prato até dar a hora exata de comer. Assim que as mesquitas dão o sinal pelos alto-falantes, eles atacam...

No trabalho, fica claro como as pessoas que praticam o Ramadhan ficam mais cansadas com o passar do tempo, a gente faz de tudo para evitar comer ou beber qualquer coisa perto deles. Afinal não é nada legal saber que o cara está morrendo de sede, e você mandar ver aquele copão de água geladinha... Mas não se assustem, mulheres grávidas e pessoas doentes não são obrigadas a seguir o jejum.

Acredita-se que tal prática purifica o corpo humano, expulsando toxinas e demais substâncias prejudiciais. Assim como coloca as pessoas no lugar daquelas que passam fome, e as faz enxergar tais problemas com mais empatia.

5º Pilar - A peregrinação a Mecca.

Todo muçulmano deve ir pelo menos uma vez em sua vida a Mecca. Trata-se de uma peregrinação espiritual, de busca e veneração a Allah. Não vou entrar em muitos detalhes aqui, porque apesar de já ter estudado sobre essa cidade e seu significado para a religião, a memória me falha. Dedicarei um post exclusivo ao assunto mais tarde.

Mas é interessante citar que conheci um banco aqui na Malásia, controlado pelo governo, que tem o intuito de "ajudar" as pessoas a financiar essas viagens. Os que desejam podem fazer depósitos periódicos, que assim como em uma poupança, vai rendendo com o tempo. E que quando você desejar, lhe servirá de financiamento para a peregrinação.




Bom, espero que o post os ajude a entender um pouco melhor essa religião. O mundo ocidental muitas vezes a ilustra de forma exagerada e radical, o que não é totalmente verdade. É preciso ter a mente aberta para entender e respeitar a fé de outras pessoas, afinal das contas, nós cristãos também acreditamos em um só Deus, onipotente, onipresente e onisciente - Criador e Salvador do mundo.

Tenho muitas outras coisas para falar sobre o tema, mas acho que o post já ficou bastante longo. Vou parando por aqui... e espero voltar em breve!


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aquele sobre estar perdido

Muitas pessoas gostam de pensar na vida como um caminho. Traçam metáforas sobre os diversos destinos que tais estradas nos levam, falam de outros viajantes que conhecemos durante a jornada. Filosofam sobre pegadas, pedras e mapas.. divagam, divergem, concordam..

Bom... hoje eu quero evitar essa metáfora. Me ocorreu que um caminho é uma forma muito direta de representar a vida, que não valoriza sua imensa complexidade e não traduz todas as suas possibilidades. Quem me conhece sabe que sou adepto do "Simples assim" e deve estar se perguntando "o que raios aconteceu com o Lucas?" Não se preocupe, eu vou me explicar.

Recentemente li em um livro a reflexao: "Como alguém pretende se encontrar, se nunca se perdeu?" Bom.. vocês sabem, isso é mais do que suficiente para me fazer matutar por um bom tempo. E de fato, o que é se perder? O que é a primeira coisa que vem a cabeça de alguém que está perdido? "Onde estou?", "Como eu cheguei aqui?", "Para onde eu vou?" , "O que eu faço?" Perguntas.... dúvidas.. incertezas... isso é o que habita a mente e o coração de alguém que está perdido. E isso é bom... perguntas levam a respostas. Talvez não as certas, mas ainda assim respostas... e respostas nos dão a sensação de segurança, nos dão um chão onde pisar.. um horizonte a se mirar.

Por favor, não denunciem meu blog por incentivar pessoas a fazerem besteiras. Quando eu digo perder-se não me refiro a tomar um caminho que é sabido ser o errado, me refiro sim ao exercício de indagar-se, de questionar-se de experimentar... de arriscar.

Muitos dizem que a vida é curta, outros que ela é longa... eu acho que ela tem exatamente o tamanho que deveria ter. E o que nos traz essa sensação de comprimento é exatamente o quanto nós nos aproveitamos dela, e o quanto a deixamos simplesmente passar. Não importa se perdido ou seguro, o importante é sentir o ar entrando em nossos pulmões a cada respiração, notar cada momento. As vezes nos preocupamos demais buscando respostas, e esquecemos de valorizar as perguntas...

Pessoalmente? Estou gostando de estar perdido. E então vocês me perguntam "Mas onde está aquele Lucas seguro e confiante que eu sempre conheci?", bom.. ele continua aqui. Eu ainda tenho certeza de que minhas perguntas me levarão a algum lugar, mas por enquanto... elas são só perguntas... sedutoras e emocionantes perguntas.

Mas em meio a tantas questões... existe uma grande certeza. Eu estou FELIZ! E a felicidade não se constrói sozinho, muito menos se desfruta a um. Ela não tem sentido se não for compartilhada, multiplicada.... E hoje faz um mês que minhas perguntas ficaram mais doces, que as flores ganharam mais cores e que os finais de semana ficaram ainda mais desejáveis! Um mês que me sinto completo e que espero ansiosamente cada nova manhã para poder desejar um "Bom dia!"... pois a cada novo dia que nasce, é mais uma chance que tenho de fazê-la sorrir... e seu sorriso é tão lindo!

Minha linda.... Selamat primeiro mês... me aguentar por tanto tempo não é fácil... mas fazer o que... estamos perdidos mesmo.. acho que agora você não tem outra opção... ;p


Até daqui a pouquinho.... =)

P.S.: Caros leitores, eu sei que prometi mais posts sobre a cultura e minha experiência aqui na Malásia.... e aí está! Tudo o que passa pela minha cabeça, todas essas reflexões e pensamentos, não deixam de ser fruto dessa experiência. Mas para os amantes dos diários de viagem uma notícia: passagem comprada para Tailândia, Indonésia e Singapura. ;)

P.S.2: Dessa vez todas as fotos são nossas.




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aquele dos aromas e sabores

[Este texto foi foi escrito para a revista do restaurante Lagundri - indicado na Veja como melhor restaurante de Campinas e de Curitiba no ano de 2008. Sintam-se convidados para entender um pouco melhor dos sabores orientais, e caso encontrem meu texto por lá não se esqueçam de pedir um desconto! =p ]

Pela primeira vez, nesses sete meses que estou na Malásia, eu parei e assisti à televisão. Na realidade eu estava em um hostel aguardando o horário do meu ônibus, mas confesso que a telinha me chamou a atenção. Os comerciais anunciavam a programação da semana, e me conquistaram quando percebi que todo o conteúdo era voltado a culinária. De inicio pensei: "Mas que desperdício, 24h de programas de culinária, ainda por cima só sobre a Ásia"? Foi quando algumas memórias me vieram... memórias que tentarei brevemente expôr aqui, e que me convenceram que 24h não dá nem para servir a entrada...

Lembro-me de uma das primeiras impressões... os cheiros! Era tudo tão forte, tão vibrante, tão marcante... como se cada esquina tivesse seu próprio cheiro, sua própria identidade. Moro em um bairro indiano, no coração de Kuala Lumpur. Cada rua abriga uma dezena de restaurantes: chineses, malaios, do norte e do sul da índia (e sim, a diferença é gritante), tailândeses e isso sem falar das barraquinhas que também servem comidas e frutas no meio da calçada. Tudo a todo vapor, a qualquer hora do dia!

O inicio foi uma verdadeira aventura. Me arrisquei, ao menos um novo prato por dia... o resultado? Diversas surpresas! Sabores completamente novos ao meu paladar, temperos misturados de forma que eu sequer havia imaginado ser possível, pratos capazes de saciar os cinco sentidos - e não estou exagerando! Imaginem um Tadoori Platter (prato típico punjab - norte da índia - composto por diversos tipos de carnes e especiarias) chegando a sua mesa recém saído do forno, ainda chiando por causa do calor... muito bem montado misturando as carnes e os vegetais, com um cheiro que abre o apetite de qualquer pessoa e uma textura e um sabor... humm... não consigo nem descrever.

Mas é claro que também já houveram surpresas desagradáveis.. e a maioria delas ocorreram nos momentos que esqueci de verificar se a comida era muito ou extremamente apimentada! É algo que com o tempo a gente se acostuma, e para falar a verdade sente até falta. Já me peguei várias vezes pedindo por mais pimenta no meu Nasi ou Mee Hoon Goreng. Mas não pense você que tudo é apimentado, variedade é o que não falta nessa culinária e acredito que seja isso o ingrediente principal de tanto sucesso.

Tenho medo de voltar ao Brasil e sentir falta do meu Roti Canai no café da manhã ou do meu Teh'o Ais Limau para matar a sede... não me espanta que as primeiras, e quase únicas palavras em Bahasa Malaio que aprendi até agora são os nomes das comidas - é algo que não dá para passar em branco. Mas enquanto estou por aqui vou me aventurar, na semana passada mesmo me deilicei com meu Arroz Tailândes, em um restaurante Chinês, no coração da Malásia.. ouvindo, vejam vocês... um bom samba brasileiro...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Aquele do Deepavali

Sabe de uma coisa que eu adoro aqui na Malásia? Os feriados! Claro que eu também gosto deles no Brasil... mas digamos que aqui eles ainda são mais valiosos pra mim. A definição de feriado no meu dicionário malaio, se eu tivesse um, seria algo do tipo:

1 - Momento perfeito para dar aquela escapadinha da rotina, deixar o ar-condicionado de lado e conhecer um lugar diferente;
2 - Oportunidade anual de presenciar eventos culturais e entender melhor esses povos fantásticos do oriente;

E sortudo como eu sou, semana passada houve mais um feriado... no sábado! O que de forma alguma abala a definição anterior, só a torna mais curta... Enfim, esse sábado foi a comemoração do deepavali ou diwali, como preferirem.

Para os hindus, deepavali é a reafirmação de sua crença de que o bem triunfará sobre o mal. Também conhecido como festival das luzes, é celebrado mundialmente e tem diversas histórias que narram sua origem, todas fazendo alusão a vitória da luz sobre as trevas.


Entre essas histórias, a mais famosa diz que certa época havia um demônio conhecido como Narakasura, que reinava com mãos de ferro no reino de Pradyoshapuram. E como todo bom vilão, ele fazia muitas pessoas sofrerem e até chegou a sequestrar uma donzela para aprisionar em seu castelo.

Lord Krishna, o herói da historia, foi enviado para punir o demônio por sua maldade e até hoje o povo celebra o dia de sua vitória como o dia em que o bem venceu o mal. Engraçado que eu nao encontrei nada a respeito dele salvar a donzela ou não.....

As preparações para o festival geralmente começam com 2 ou 3 semanas de antecedência. Muitas pessoas limpam suas casas e saem para comprar roupas novas, assim como ingredientes para a confecção dos doces tradicionais. Ou seja, encontrar barraquinha de roupas e comida na rua é facil!

No dia exato da comemoração, os hindus normalmente acordam por volta das 3 ou 4 da manhã para banhar-se com óleo, uma ritual de purificação que simula um banho nas águas sagradas do rio Ganges. Outra importante prática durante esse festival é acender uma lamparina a óleo na frente de casa pela manhã, ato que traduz o significado da palavra Deepavali (Deepa - lamparina e Avali - fileira).

Durante as festividades os hindus também costumam desenhar elaboradas figuras no chão e na parede de casa, usando pos coloridos ou mesmo arroz, e fazem uma oferenda de flores e doces ao Lord Krishna, por ter derrotado o demônio.

Vestindo suas roupas novinhas, eles vão visitar os familiares mais velhos e se dirigem aos templos para agradecer e pedir felicidade e prosperidade.

Bom.. finalmente consegui fazer um post quase em dia! =) Ainda tenho que contar a vocês sobre o Ramadan (mês de jejum muçulmano) e o festival de lanternas chinesas - ambos já aconteceram, mas não custa nada registrar.. mesmo que alguns meses atrasado.

Ahh.. e as fotos nesse post não são minhas. Googlei-as todas.. mas prometo ser mais original!